Pesquisa baseada em 10 mil títulos mostra que divulgar uso de inteligência artificial reduz avaliações em 53% e afasta jogadores na maior loja de PC.
A inteligência artificial já está presente em boa parte dos jogos lançados na Steam, seja na criação de arte, na dublagem ou na otimização de código. O problema é que admitir esse uso parece ter um custo alto. Um novo levantamento, divulgado nesta semana, mostra que jogos com declaração oficial de uso de IA recebem em média 53% menos avaliações do que títulos feitos sem a tecnologia, o que se traduz em uma queda estimada de 40% a 60% nas vendas para estúdios já consolidados no mercado. A descoberta reabre uma dúvida recorrente entre desenvolvedores e jogadores brasileiros: vale a pena usar IA no desenvolvimento de um jogo se isso pode comprometer sua recepção comercial? A resposta, segundo os dados, é mais delicada do que parece.
O que mostra o estudo da Game Oracle sobre jogos com IA na Steam
A pesquisa foi conduzida por Ross Burton, cientista de dados e responsável por produtos e dados na Game Oracle, empresa que também desenvolve o Steam Map, ferramenta de análise de similaridade entre jogos na plataforma da Valve. Como a Steam não divulga dados oficiais de vendas, Burton precisou recorrer ao indicador mais próximo de popularidade disponível, que são as avaliações deixadas pelos jogadores nas páginas dos títulos. Para isso, ele simplificou a declaração de uso de IA para uma categoria única, sem distinguir se a tecnologia foi aplicada no código, na arte ou na trilha sonora, e analisou as impressões de quase 10 mil jogos lançados entre janeiro e outubro de 2025. Meio Bit
Os números encontrados surpreenderam mesmo quem já esperava alguma resistência do público. Em média, um jogo que declara o uso de IA recebe cerca de quatro avaliações no primeiro mês, contra sete de um título que não usa a tecnologia, e 20% dos jogos com IA não recebem nenhuma avaliação. Na prática, isso significa que, entre dois desenvolvedores com talento e orçamento equivalentes lançando jogos parecidos, o projeto tradicional receberia cerca de 100 avaliações, enquanto a versão apoiada em IA ficaria com apenas 47. O resultado contraria a expectativa de que a IA aceleraria o sucesso comercial dos jogos ao reduzir custos de produção. Meio BitPlay Trucos
Por que jogadores reagem mal à divulgação do uso de inteligência artificial
A explicação para essa rejeição não está apenas na qualidade técnica dos jogos, mas na desconfiança gerada pelo próprio aviso. Para chegar a essa conclusão com mais rigor, Burton construiu um modelo estatístico causal que controlou variáveis como experiência prévia do desenvolvedor, apoio de publisher, gênero e momento de lançamento, de forma a comparar cenários praticamente idênticos. Mesmo isolando esses fatores, a queda nas avaliações se manteve consistente, o que reforça que o problema está ligado à reação do consumidor à própria etiqueta de IA, e não a uma eventual perda de qualidade do produto final. Play Trucos
Esse comportamento preocupa principalmente os estúdios mais estruturados. Segundo Burton, equipes com talento, orçamento e conhecimento técnico que decidem testar IA para otimizar fluxos de trabalho podem sofrer o impacto mais severo, já que, segundo ele, “eles têm talento, orçamento e know-how” e ainda assim enfrentam quedas de até 60% nas vendas. O cenário ganha mais relevância ao se considerar que o estudo, que analisou 10 mil jogos da Steam, mostra que títulos rotulados como criados com IA recebem 53% menos avaliações, sugerindo menor visibilidade e confiança mais fraca do jogador. Ou seja, o aviso de transparência, pensado para proteger o consumidor, acaba funcionando como um sinal de alerta que afasta parte do público. Play TrucosEGW.News
O que isso significa para desenvolvedores e para o mercado gamer brasileiro
Para estúdios independentes e brasileiros que avaliam incorporar ferramentas de IA em seus projetos, o estudo serve como um alerta sobre o momento atual do mercado. A controvérsia em torno do uso de inteligência artificial em videogames tem gerado uma onda de suspeita na comunidade gamer, que encara as mudanças com desconfiança, e isso já se reflete diretamente nos números de vendas. Antes de adotar qualquer ferramenta generativa, vale considerar não apenas o ganho de produtividade, mas também como essa escolha será recebida publicamente, já que a etiqueta de transparência pode pesar mais do que a qualidade real do jogo entregue. Hardware.com.br
O tema também conversa diretamente com o que vem sendo observado entre os jogadores brasileiros. Dados da Pesquisa Game Brasil 2026 mostram que quase metade do público nacional já manifesta receio quanto à precarização do processo criativo causada pelo avanço da IA na indústria, ainda que parte considerável afirme que compraria um jogo desenvolvido com apoio da tecnologia. Esse equilíbrio delicado entre aceitação e desconfiança deve continuar pautando lançamentos nos próximos meses, tanto em estúdios internacionais quanto em produções nacionais, reforçando que comunicação e transparência seguem sendo tão importantes quanto a própria tecnologia aplicada ao desenvolvimento dos jogos.
Fontes consultadas:
Autor: Diego Rodríguez Velázquez