A maioria dos projetos sociais no Brasil não completa dez anos. Alguns sucumbem à falta de recursos, outros à ausência de liderança consistente, outros ainda à incapacidade de se adaptar quando as circunstâncias mudam. A Fundação Gentil Afonso Duraes completou mais de duas décadas em plena atividade, expandida e reformulada, e a pergunta relevante não é apenas o que ela construiu nesse tempo, mas como sobreviveu ao que tantos outros não sobreviveram. A resposta está em decisões que Eloizo Gomes Afonso Duraes tomou repetidamente ao longo de vinte anos.
A formalização que criou raízes
Organizações informais dependem exclusivamente do comprometimento pessoal de quem as lidera. Quando esse comprometimento vacila ou quando as circunstâncias pessoais do líder mudam, a organização desaparece. Eloizio Gomes Afonso Duraes eliminou esse risco em outubro de 2003, apenas semanas após iniciar as atividades, ao formalizar a Fundação com CNPJ próprio e estrutura jurídica que lhe conferiu identidade independente da pessoa do fundador.
Essa decisão precoce foi a primeira âncora de longevidade: criou uma instituição com obrigações legais, responsabilidades formais e uma identidade que persistiria além de qualquer circunstância pessoal.

O crescimento que não destruiu a qualidade
Um dos padrões mais comuns de fracasso em organizações sociais é a expansão acelerada que compromete a qualidade dos serviços prestados. O entusiasmo de alcançar mais pessoas leva a uma diluição dos recursos e da atenção que, eventualmente, faz com que a organização passe a oferecer serviços medíocres para muitos em vez de serviços excelentes para poucos.
Eloizo Gomes Afonso Duraes resistiu a essa armadilha. A expansão da Fundação para São Luís, João Pessoa e Recife foi gradual, espaçada ao longo de cinco anos, e precedida pela consolidação do modelo em São Paulo. Cada nova localidade foi incorporada apenas quando havia capacidade real de sustentar a qualidade que caracterizava os programas desde o início.
A reformulação que renovou sem romper
Em novembro de 2019, Eloizio Gomes Afonso Duraes tomou uma decisão que muitos líderes de organizações sociais evitam por medo de perturbar o que funciona: reformulou profundamente a estrutura institucional da Fundação, transformando-a em Organização Social. Essa transformação poderia ter gerado descontinuidade nos programas, perda de identidade ou resistência interna. Não gerou nada disso, porque foi conduzida com o mesmo cuidado e a mesma visão de longo prazo que caracterizou todas as decisões anteriores.
A capacidade de se reinventar sem se perder é talvez o ativo institucional mais valioso que a Fundação Gentil Afonso Duraes construiu ao longo de vinte anos, e ele reflete diretamente a maturidade de liderança de Eloizo Gomes Afonso Duraes.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez