Escassez global de DRAM elevou o preço do novo console da Valve e já preocupa quem espera o PlayStation 6 e o próximo Xbox.
A Valve finalmente confirmou os preços do Steam Machine, seu novo console híbrido que mistura PC e sala de estar, e o valor pegou muita gente de surpresa. A versão mais simples chega a custar mais de mil dólares, superando até consoles tradicionais como o PlayStation 5 Pro. A explicação não está em margens de lucro exageradas, mas em uma crise global de memória RAM que está encarecendo praticamente todo o hardware gamer em 2026. A dúvida que fica para o jogador brasileiro é direta: se até a Valve, fabricante sem obrigação de subsidiar hardware, chegou a esse preço, o que esperar do PlayStation 6 e do próximo Xbox quando forem anunciados oficialmente? A resposta começa a ficar mais clara.
Por que a memória RAM ficou tão cara e afetou o Steam Machine
A raiz do problema está na disputa por chips de memória DRAM, cada vez mais disputados pela indústria de inteligência artificial. Servidores e data centers de IA consomem volumes enormes desse componente, desviando capacidade de produção que antes abastecia produtos de consumo como consoles, notebooks e placas de vídeo. Esse desequilíbrio entre oferta e demanda fez os contratos de memória dispararem, com alta de mais de 170% na comparação anual registrada apenas nos últimos meses. O impacto já havia aparecido antes mesmo do lançamento da Steam Machine, quando a escassez levou a NVIDIA a relançar GPUs antigas como a RTX 3060 para tentar suprir a demanda por placas mais acessíveis. Ei Nerd
A Valve, diferente de Sony e Microsoft, não tem poder de negociação junto aos grandes fabricantes de memória. Em entrevista ao canal Gamers Nexus, um engenheiro da empresa foi direto sobre a falta de margem para negociar contratos, afirmando que “não existem contratos. Não existe nada” e que os fornecedores simplesmente avisam o preço e a quantidade disponível a cada mês, sem espaço para acordo. Diferente de Sony e Microsoft, que costumam subsidiar parte do custo do hardware para compensar depois com a venda de jogos e assinaturas, a Valve repassa diretamente ao consumidor qualquer variação no custo dos componentes. Hardware.com.br
Quanto custa o novo hardware da Valve e o que isso revela sobre o mercado
Os valores anunciados mostram a dimensão do problema. A versão de entrada, com 512 GB de armazenamento, custa 1.049 dólares, enquanto o modelo com SSD de 2 TB sai por 1.349 dólares, com pacotes que incluem o novo Steam Controller chegando a 1.428 dólares. Para efeito de comparação, esses valores ficam acima do PlayStation 5 Pro, vendido atualmente por 899,99 dólares nos Estados Unidos, e bem distantes do PS5 Digital e do Xbox Series X, consoles que ainda miram o público mais amplo. A Revista
A escassez de componentes também afetou diretamente as configurações de hardware disponíveis. Algumas unidades do Steam Machine sairão de fábrica com um único módulo de 16 GB de memória, enquanto outras usarão dois módulos de 8 GB, já que a Valve não conseguiu garantir fornecimento uniforme. Além disso, a produção inicial do aparelho deve corresponder a apenas dois terços do volume originalmente planejado, segundo a própria companhia. Esse tipo de limitação reforça que a crise de memória não é apenas uma questão de preço, mas também de disponibilidade real de produto nas lojas. A Revista
O que isso significa para o PlayStation 6, o Xbox e o bolso do jogador brasileiro
O temor entre os jogadores é que Sony e Microsoft sigam o mesmo caminho. A CEO da divisão Xbox, Asha Sharma, já declarou publicamente que o custo das memórias afeta diretamente o preço e a disponibilidade do Project Helix, codinome do próximo Xbox, revelando que o valor pago pelos componentes de armazenamento dobrou em relação ao ano anterior e voltou a dobrar nos meses seguintes. A Sony, por sua vez, optou por uma postura mais cautelosa, com o CEO Hiroki Totoki preferindo aguardar a estabilização dos preços de memória antes de confirmar qualquer data ou valor oficial para o PlayStation 6, o que explica o silêncio da empresa sobre o tema até o momento.
Para o consumidor brasileiro, o cenário tende a ser ainda mais desafiador. Além da variação cambial, qualquer console importado nessa faixa de preço internacional costuma sofrer reajustes adicionais com impostos e margens de revenda, o que pode levar valores próximos de mil dólares a ultrapassar com facilidade a marca de nove mil reais nas prateleiras nacionais. Diante desse quadro, vale ao jogador acompanhar de perto os anúncios oficiais antes de planejar a troca de console, já que a equação de preços do setor gamer está mudando de forma mais profunda do que apenas um ajuste pontual.
A crise de memória DRAM mostra que o aumento nos preços dos consoles não é um movimento isolado da Valve, mas um sintoma de uma disputa maior por componentes entre a indústria de games e o boom de data centers voltados à inteligência artificial. Enquanto a oferta de memória não se equilibra, fabricantes de hardware gamer devem continuar repassando custos ao consumidor final, tornando decisões de compra ainda mais estratégicas. Resta acompanhar se Sony e Microsoft conseguirão amenizar esse impacto com seus modelos de subsídio tradicionais ou se o mercado de consoles está mesmo entrando em uma nova era de preços mais altos.
Fontes consultadas:
Autor: Diego Rodríguez Velázquez