Paulo Roberto Gomes Fernandes acompanha, há anos, os grandes eventos internacionais que funcionam como termômetro da indústria de óleo e gás, e a Offshore Technology Conference realizada em Houston sempre ocupou papel central nesse debate. Em janeiro de 2026, ao analisar o contexto histórico da OTC de 2016, percebe-se como aquele momento marcou uma inflexão importante, ao reposicionar eficiência, produtividade e internacionalização como eixos estratégicos para a recuperação do setor brasileiro, em meio a um cenário econômico e político extremamente desafiador.
Naquele período, a indústria global ainda sentia os efeitos das fortes quedas no preço do barril iniciadas no fim de 2014. Esse ambiente pressionou empresas a reverem modelos operacionais, priorizando redução de custos sem comprometer a segurança e a continuidade das operações. Paulo Roberto Gomes Fernandes nota que a OTC passou a refletir exatamente essa mudança de mentalidade, ao deslocar o foco do crescimento acelerado para soluções mais racionais, tecnicamente robustas e financeiramente sustentáveis.
Eficiência e produtividade no centro das decisões estratégicas
De acordo com análises do setor, a edição de 2016 da OTC consolidou a eficiência operacional como prioridade transversal em toda a cadeia de óleo e gás. Em vez de grandes anúncios de expansão, o evento destacou tecnologias voltadas à otimização de processos, automação, redução de desperdícios e aumento da confiabilidade dos ativos existentes. Paulo Roberto Gomes Fernandes destaca que essa mudança foi essencial para permitir a sobrevivência e posterior reorganização de empresas impactadas pela crise.
Nesse contexto, a produtividade passou a ser entendida não apenas como volume produzido, mas como capacidade de gerar valor com estruturas mais enxutas. Conforme se avaliava à época, essa abordagem permitiu manter operações ativas mesmo em um ambiente de margens comprimidas. Esse aprendizado permanece atual em 2026, especialmente para países produtores que precisam equilibrar competitividade, exigências regulatórias e responsabilidade ambiental.
Cenário político brasileiro e expectativas de reestruturação
Outro elemento relevante naquele momento era o ambiente político brasileiro, que vivia um período de transição institucional. Conforme sinalizado à época, havia expectativas de mudanças na gestão do setor energético e de maior estímulo às concessões. Paulo Roberto Gomes Fernandes ressalta que, embora muitas decisões ainda estivessem indefinidas, o simples movimento de transição já reativava discussões sobre novos negócios e investimentos.

Ainda assim, as incertezas exigiam cautela. Por isso, diversas empresas brasileiras passaram a olhar com mais atenção para o mercado internacional, buscando contratos, parcerias e oportunidades fora do País. Esse movimento estratégico, segundo avaliações recorrentes, foi fundamental para manter a atividade de fornecedores nacionais e preservar competências técnicas durante os anos mais agudos da crise.
Internacionalização e presença brasileira na OTC
A participação brasileira na OTC de 2016 manteve-se expressiva, mesmo diante das dificuldades internas. Conforme observado por analistas do setor, missões empresariais, pavilhões institucionais e agendas paralelas funcionaram como importantes plataformas de aproximação entre empresas brasileiras e o mercado norte-americano. Paulo Roberto Gomes Fernandes analisa que essa presença reforçou a imagem do Brasil como player relevante, mesmo em um ciclo adverso.
Além da exposição institucional, empresas nacionais intensificaram esforços para demonstrar capacidade técnica, qualidade de serviços e competitividade internacional. Esse posicionamento contribuiu para a conquista de contratos no exterior e para a construção de relações de longo prazo, especialmente em segmentos ligados à engenharia, equipamentos e soluções especializadas para a indústria de petróleo.
Tecnologia, pré-sal e visão de longo prazo
A programação técnica da conferência também dedicou espaço relevante às discussões sobre o pré-sal brasileiro e suas perspectivas de investimento. Conforme se destacava naquele momento, a abordagem precisava ser pragmática, combinando atratividade econômica, segurança jurídica e eficiência operacional. Paulo Roberto Gomes Fernandes salienta que esse tipo de debate ajudou a reposicionar o pré-sal como ativo estratégico de longo prazo, mesmo em um cenário global adverso.
Olhando em retrospecto, observa-se que a OTC de 2016 não representou uma recuperação imediata, mas funcionou como ponto de reorganização conceitual da indústria. Por fim, percebe-se que muitos dos princípios debatidos naquele evento, como eficiência, internacionalização e inovação tecnológica, seguem orientando as estratégias do setor em 2026, reforçando a importância de análises estruturadas e visão de longo prazo.
Autor: Fred Delgadillo